O cineasta e enólogo Joantahn Nossiter, em seu clássico “Mondovino”, elegeu a região do Vale do São Francisco, no Brasil, para dar início ao seu longa-metragem, que mexeu com “gregos e troianos”. No ano de 1983, passei cerca de um ano morando em Petrolina, estava acompanhando meu marido que na época trabalhava em uma construtora que tinha sede em Recife, Pernambuco. Na ocasião, tive oportunidade de visitar os primeiros vinhedos plantados naquelas terras áridas. Fiquei extasiada: como uma região tão seca, produzia uvas tão deliciosas, suculentas e elegantes? Na minha adolescência, as uvas que chegavam a nossa Paraíba vinham, na sua maioria, acondicionadas em pequenas caixas que eram vendidas nas portas das casas em caminhões vindos diretamente do Rio Grande do Sul. Então, de acordo com minha experiência e vivência, a videira só produzia em locais frios e com chuvas abundantes.
Quando cheguei a Petrolina e vi aquele oásis em pleno sertão nordestino, fiquei sem entender. Passados alguns anos comecei a me interessar por vinhos e aquele meu primeiro contato com o mundo de uvas e vinhos veio à tona. Sem querer, participei, claro que como mera expectadora, das primeiras colheitas de uvas brancas no novíssimo terroir de vinho no mundo de Baco. Com a chegada (depois de muitos meses) do filme “Mondovino” em nossa região vi, com grande prazer, a minha amiga Izanette Tedesco fazer história, totalmente integrada no competitivo mundo da vitivinicultura mundial. No ano passado, eu e meu amigo Carlos Chagas, da Via Parahyba Turismo, conseguimos a proeza de levar um grupo de pessoas para conhecer aquela região. O passeio foi espetacular e bastante proveitoso. Passamos quatro dias visitando a região e as vinícolas Garziera, Botticeli e Bianchetti Tedesco. Em 2006, vamos repetir a epopéia e acrescentar outras vinícolas ao nosso passeio. Claro que tudo em nome de Baco, essa figura mitológica que conseguiu subir ao Olimpo porque difundiu nos quatro cantos do Mundo o néctar dos deuses.
O Velho Chico
Ele, que é o maior rio genuinamente brasileiro, nascendo em Minas Gerais e desembocando no oceano Atlântico, na divisa de Pernambuco com Alagoas, é considerado excelente para irrigação, por não provocar sodificação e nem salinização do solo.
O Primeiro a chegar
Tudo começou quando o enólogo gaúcho Jorge Garziera visitou o Nordeste do Brasil e desenvolveu projetos de uva de mesa. Isso aconteceu há 28 anos e hoje o Vale do São Francisco elabora vinhos que já receberam prêmios internacionais e já podem ser comprados em muitos países da Europa.
Maior produtor de uva de mesa do Brasil
O Vale do São Francisco, considerado uma das melhores regiões do mundo para o plantio de uvas em razão de quase não chover, é o segundo maior produtor de vinho do Brasil, detendo 15% do mercado vitivinícola do País e conseguiu uma façanha inédita: ser o maior exportador nacional de uva de mesa. Responsável por 95% da uva de mesa cultivada no Brasil, através da produção de até duas safras e meia por ano, plantadas em 7 mil hectares, o setor gera cerca de 30 mil empregos diretos.
Enoturismo
Antenadas com o turismo ligado ao vinho, o enoturismo, as empresas que se estabelecem no Vale do São Francisco já criam condições de receber o turista integrando-o ao mundo do vinho. Recebendo o visitante com pessoa especializada (diretores ou enólogo da casa) as empresas mostram as videiras, a elaboração dos vinhos e por último oferecem degustação e venda de seus produtos. Grandes empresas como a Miolo já executam projetos visando receber grandes levas de turistas nos moldes do sul do País. Por outro lado, vinícolas menores como a Garziera e Bianchetti Tedesco preferem conservar um clima mais aconchegante e menor, apostando na receptividade das pequenas famílias elaboradoras também de grandes vinhos.
Vinícolas que já estão instaladas e outras em fase de implantação no Vale do São Francisco
1. Vitivinícola do Vale do São Francisco ¬– José Gualberto de Almeida.
2. Labrunier (do grupo francês Carrefour)
3. Vitivinícola Lagoa Grande – Jorge Garziera
4. Dão Sul – Carlos Moura
5. Miolo
6. Bianchetti Tedesco
7. Vinícola Fazenda Milano – José Gualberto
8. Bella Fruta do Vale Ltda.
9. Chateaux Ducos
10. Champagne Georges Aubert S/A
11. Bentec
12. Casa Valduga
13. Vitivinícola Santa Maria S/A
14. Prospecta Fruit Ltda – Itália
15. Ducos Vini vinícola – França
16. Caves Dom Teodósio – Portugal
17. Lovara
18. Baco
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