Por que somos tão criativos e inovadores, cheios de idéias novas e tão ruins em execução? Por que a rotina e o detalhe de executar um plano, fazer a manutenção das coisas existentes, dar continuidade, nos deixa tão entediados?
Sentimos um grande prazer em propor planos e idéias e um enorme tédio em cuidar das coisas do hoje, do aqui e do agora, de fazer. Estamos sempre olhando para o futuro e parece que nos esquecemos de que o amanhã depende do que fizermos hoje. Com o descaso pelo hoje, pelo detalhe, pela cuidadosa execução e manutenção do que existe, nunca construiremos o amanhã e seremos sempre o “País do futuro”.
Parece que executar é, para nós, uma coisa subalterna, para pessoas sem muita inteligência, puros obreiros. O bonito é criar, inovar, propor, discutir. Daí nada acontece. As coisas simplesmente não acontecem, não têm continuidade, não têm manutenção, não vingam. Faltam pessoas dispostas a cuidar do dia-a-dia, da rotina, do manter, do fazer todos os dias.
Nas empresas que visito vejo pessoas propondo planos, projetos e idéias maravilhosas. Mas ninguém atende o cliente que está na linha, esperando. Ninguém conserta o banheiro quebrado. Ninguém quer visitar o fornecedor que está precisando de melhores especificações para poder entregar o pedido da próxima semana. Ninguém faz a manutenção correta das máquinas que estão em uso há anos e ameaçam parar. Daí, quando as coisas dão errado e o problema se torna insustentável todos parecem tomar um susto. Comportam-se como se não soubessem que o problema ocorreria, mais cedo ou mais tarde.
Precisamos, com urgência, de pessoas que sejam realmente responsáveis em fazer as coisas simples acontecerem. Temos verdadeira ojeriza a coisas simples, rotineiras, mas que precisam ser feitas. Todos querem cargos elevados para propor, dar idéias, planejar. É preciso fazer. É preciso passar do plano da proposição ao plano da ação.
É por falta de gente que gerencie de fato, que supervisione de fato, que faça as coisas simples e rotineiras acontecerem que temos passado pelas agruras nos aeroportos, nos portos, nos trens, nas estradas federais. Queremos o novo, mas detestamos manter o existente. Queremos construir e odiamos reformar o que precisa de cuidados. Uma obra nova do governo é iniciada ao lado de um edifício do mesmo governo que cai aos pedaços por falta de verba para manutenção.
Nas empresas não é diferente. Novos projetos todos os dias, novas propostas toda semana. Novos produtos, dezenas de produtos nos porfólios. Os vendedores querem novidade todos os dias. Sentem enorme tédio em vender os produtos que existem. Corretores de imóveis só vendem lançamentos. Há milhares de casas e apartamentos estocados em prédios já lançados que nem sequer são oferecidos. Eles querem um novo lançamento por semana. O mesmo acontece com vendedores de veículos. O mesmo com qualquer empresa que oferece mundos e fundos para conquistar um novo cliente e despreza os que tem. Com a mão direita ganham e com a esquerda perdem numa desvairada febre de novidades, de criatividade, de inovação, de propostas mirabolantes.
Peço a você que se dispor a ler este artigo até aqui, que procure pensar na execução, no fazer, na importância da rotina, da manutenção, do cuidado como hoje, da atenção com o agora. Antes de pensar grande, é preciso ter disposição para fazer grande, para fazer certo, para fazer agora e não num futuro de sonhos que ninguém está a construir. E como simples exercício, pense nas questões abaixo:
1.Você tem consciência de que é preciso cuidar do dia-a-dia, da manutenção, da continuidade, do fazer acontecer de fato, para que o amanhã possa ser sucesso?
2.Quando você começa uma coisa, você vai até o fim, cuidando dos detalhes, corrigindo os erros, aparando as arestas, ou desiste logo, começando outra coisa nova?
3.As coisas simples, rotineiras, detalhadas, que exigem atenção e tomam tempo, têm valor para você?
4.Quantas idéias sua empresa já teve e fracassaram por falta de alguém que cuidasse da execução cuidadosa, continuada e firme?
5.Quantas idéias morreram no papel?
6.E você? Quantas coisas você já começou e não terminou?
Pense nisso. Sucesso!
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