Por Luiz Marins
O que leva algumas pessoas a alcançar resultados espetaculares, a alcançar objetivos muito além das expectativas de qualquer um de nós e a deixarem uma marca indelével naqueles que as cercam? Para os autores James Champy – o ex-presidente da CSC Index e co-autor de Reengineering the Corporation – e para Nitin Nohria, professor de administração de empresas na Harvard Business School, a resposta está na ambição. Eles crêem que a ambição é o ingrediente fundamental que transforma uma idéia simples em um negócio global, derruba um império, ou faz de uma família de imigrantes uma rica dinastia.
Muitos de nós temos sonhos desde a infância. Imaginamos tornarmo-nos como nossos ídolos, sejam eles os pais, os professores ou os atletas. Sentimo-nos ainda mais inspirados ao lermos os livros escolares e ao ganharmos conhecimento de heróis nacionais e mundiais. Todas essas experiências alimentam a semente da ambição que foi plantada em nossos primeiros dias.
Mas as pessoas sempre tiveram sentimentos ambivalentes sobre a ambição. Embora a reconheçamos como essencial, nós a consideramos como perigosa. Não aprovamos aqueles que dela abusam, mas não respeitamos aqueles que não a têm. Contudo, a história mostra que ter ambição é, com freqüência, mais positivo que negativo. Na verdade, a boa ambição é a alma da conquista do Homem.
Quase todos sonham em fazer algo especial, seja construir uma nova empresa da Internet, escrever um romance ou entrar para a política. Qualquer que seja o tamanho de seu objetivo, ele é guiado pela ambição. E a ambição – como demonstrado por um estudo nas carreiras das pessoas que obtiveram sucesso – segue uma curva previsível.
A curva da ambição, como os autores do texto a consideram, não é necessariamente a mesma para todos. Para alguns, a ascensão é demorada. Assim foi para Sam Walton, que não inaugurou sua primeira loja Wal-Mart antes dos 44 anos de idade. Para outros, a curva se eleva ainda cedo, com freqüência quando sua idade é tenra. Michael Dell começou a produzir seus computadores personalizados (ou microcomputadores) no dormitório de seu campus universitário.
O primeiro segmento da curva é a alta da ambição – o sonho inicial e a perseverança e coragem que devem ser exercidos na busca do sonho. O segundo segmento dessa ascensão abrange o ápice da ambição, quando a pessoa tenta erigir algo maior do que ela mesma. Pode ser um negócio, uma universidade, um país. O terceiro segmento confronta o declínio da ambição, a época em que cada sucesso deve enfrentar seu maior desafio. Ao estudar pessoas que obtiveram sucesso e entender o que as faz conseguir tanto, você poderá entender como alcançar – da melhor maneira – suas ambições pessoais, sejam elas quais forem.
A ambição é o catalisador que inflama pessoas que alcançam o sucesso e transforma o ordinário em extraordinário. Indivíduos ambiciosos tendem a aparecer quando uma nova tecnologia ou maneira de pensar estende-se pelo mundo. Essas pessoas ambiciosas são as criadoras, as desenvolvedoras e as consolidadoras.
As criadoras são inovadoras de verdade que desbravam uma nova tecnologia até o ponto em que transformam em tecnicamente obsoleto um antigo campo da atividade humana. Nas artes, as dançarinas Isadora Duncan e Martha Graham são criadoras. Ernest Hemingway, cujo estilo conciso quebrou os grilhões do estilo vitoriano de escrever, também era um criador. Nas ciências, Albert Einstein e Jonas Salk foram criadores.
As desenvolvedoras vêm a seguir. Elas comercializam a nova tecnologia com tanta energia, que toda uma nova infra-estrutura é necessária para acomodar sua distribuição. Por exemplo, o sistema subeletrônico dos EUA foi reconstruído três vezes nos últimos 70 anos, por desenvolvedores que descobriram diferentes usos para inovações, do telégrafo ao telefone, do cabo ao satélite e à Internet.
Por fim, vêm as consolidadoras, os gerentes profissionais nos negócios – e os curadores de museus e produtores teatrais, nas artes – que fazem as novas tecnologias funcionarem de maneira consistente e lucrativa. Em última análise, contudo, as pessoas consolidadoras tendem a olhar para dentro – e não para fora – para as necessidades dos clientes, e perdem seus impulsos criativos. O palco, assim, está aberto para uma nova onda de criadores, à medida que o ciclo se repete.
Por vários séculos, o vôo do homem foi uma atraente fantasia. Na mitologia grega, Dédalo e Ícaro sonhavam em fugir voando da prisão do Rei Midas. Dédalo criou asas feitas de penas e cera para auxiliar na fuga, e assim ascenderam, até que Ícaro, o filho desobediente, voou perto do sol e caiu para enfrentar a morte, quando a cera da asa derreteu. A lenda implica em que a mente criativa pode alcançar o impossível, uma vez que enxergue o que os outros não podem ver, e evite os perigos da altivez. A história de Dédalo e Ícaro é uma metáfora da ambição.
A consecução de um objetivo está em ver além das convenções atuais. Os que alcançam o sucesso ignoram as fronteiras do velho e têm a coragem de explorar o novo. Eles enxergam aquilo que os outros não vêem. Às vezes, o fato é um meteoro intelectual, como a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein. Às vezes, é algo tão simples quanto buscar uma forma tradicional e transformá-la em algo novo e completamente original.
O que une todos os que alcançam o sucesso é a habilidade de enxergar o mundo claramente, desimpedidos do medo dos obstáculos. Quando outros vêem barreiras, os bem-sucedidos encontram maneiras de contorná-las. Eles perseguem os sonhos ambiciosos com ações. Eles encontram uma forma de agir, seja ao confrontar diretamente o obstáculo, seja ao adotar primeiros passos progressivos ao redor desse obstáculo.
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