Meninos e Homens

Como é difícil atingir a maturidade. Homens são homens, meninos são meninos. Meninos gostam de ser tratados como homens. Homens só se julgam meninos quando percebem a idade corrosiva. Os homens edificam os sonhos sonhados na infância e se frustram com isso. Os meninos sonham quando homens imaginando várias possibilidades de conquista que nunca se frustram enquanto meninos.
A poção menino de cada um de nós surge tempestivamente às vezes e candidamente outras vezes. Não se engana um menino facilmente. Não se engana um homem raramente.
Meninos são meninos e homens são homens!
O homem constrói monumentos para homenagear os criticados. O menino debocha do momento por não julgar e por não permitir distinção entre o critico e o criticado.
É mais fácil compreender os homens que os meninos. Um menino Severino pode se tornar homem, um homem não deve se tornar um Severino.
Um menino pode se tornar quando homem um presidente da República. Um homem presidindo uma república não pode agir como menino, mas pode se transformar num deles.
Meninos são meninos e Severinos... são meninos.Não se deve enganar um menino. Severinos não podem enganar homens e meninos.
Os homens quando “homens”se julgam mais fortes que um bando de meninos.
Os homens quando “meninos”se julgam no direito de nos tratar feitos meninos retardados. Homens são homens. Retardados são retardados!
Em qualquer setor da vida pública privada e omissa encontramos homens travestidos de meninos agindo como retardados travestidos de meninos agindo como retardados travestidos de homem. Jamais, porém, encontraremos meninos travestidos de homens agindo como imbecis.
Homens são homens Imbecis são imbecis˜
O Barsil é o maior reduto público de imbecis travestidos de homens. O povo desse mesmo Pais é a maior população de meninos exigidos como homens, homens tratados como imbecis, retardados tratados como Severinos e Severinos nos tratando feito idiotas!
Havia uma curiosidade sobre as mulheres. Mulheres são mulheres. Meninas são meninas! Quetionei por vezes uma mulher sobre sua postura impoluta˜
E ela me respondeu:
“Sou menina...”

4.8 ponto(s). Avaliado por 5 pessoas

  • Currently 4,8/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Postado por: Juca Fernandes
Em: 30/6/2009 as 12:04
Ações: E-mail | Kick it! | DZone it! | del.icio.us
Informações do post: Permalink | Comentários (0) | Post RSSRSS comment feed

Como viver sem o OVO

Se alguém duvidar de mim… Que atire a primeira pedra ou o primeiro “OVO”. O que seria da humanidade sem o ovo? Já pararam pra pensar? O ovo, na sua mais perfeita geometria,é o objeto mais importante que a natureza criou. Tudo começa e termina nele. Já imaginaram o que seria do mundo sem ele? Não haveria bolo, tampouco doces e logicamente poucos casamentos. O ovo é tão mágico que até os mágicos necessitam de sua magia para fazer as mágicas. Os solteiros e as solteironas se resbalariam diante de sua inexistência: o que cozinhar numa noite cinzenta e solitária? Que  já não comeu pão com ovo? O leite não seria nada sem o ovo, ou melhor, seria um lamuriento liquido em busca do seu “eu”... Deus me livre! Sem o ovo não haveria as massas, tampouco as barulhentas cantinas italianas e obviamente não haveria a Itália e logicamente não teríamos a Ferrari e conseqüentemente não ouviríamos o Rubinho, que, cá entre nós, tem cara de ovo! O ovo transita em qualquer camada social. Faz parceria com a pinga e com o uísque. Freqüenta o prato feito do boteco em formato de “zoiudo” e desfila suas cores claras em rebuscados “breakfasts”. É promíscuo nas vezes que fica choco, e choco seguido de late (chocolate) na época da Páscoa. Nossa, o que seria da Páscoa sem ovos? Simplesmente não haveria páscoa e nem rabanadas, nem chester que nasce do ovo, nem peru, nem coelho, nem cenouras, nem conta de luz, nem... pêra lá gente, tô muito estressado e estou misturando as coisas, acho que viajei na maionese! Loucura! Maionese sem ovo? Preciso mesmo é de uma gemada. O curioso sobre o ovo é que ele vive só na mesma maneira que acompanhado e sua composição é no mínimo desconfiante ( a clara, e a gema e a casca), triunvirato feminino de fazer inveja. Inveja? A inveja pode ser curada com um despacho de umbanda oferecendo uma boa galinhada preta ao Pai Vadinho. Esqueça! Sem o ovo não haveria galinha, que se não nasceu primeiro, é melhor arrumar um outro de nascer imediatamente. As obras superfaturadas no Aeroporto de Congonhas são uma obra do ovo, o famoso “ovo grande”, ou seria olho grande? O avião não existiria, pois foi baseado nos pássaros quem nascem de um ovo que não é amamentado pela mulher que não teria filhos por falta de um ovário e assim, automaticamente, não teríamos um superfaturamento nas obras de Congonhas praticada pela INFRAERO, que não seria dirigida por uns ladrões que são filhos de mães solteiras sem ovários. O Zé Dirceu, aquele que foi indo, indo, indo e iu. Sentiu a fúria de uma ovada na cara. A oposição ficou chocada e o povo brasileiro chacotado! O ovo é garantia certa de votos numa eleição qualquer, pois a primeira coisa oferecida a população carente é o arroz, feijão, batata frita e o ovo estrelado! Ou seria estralado? A lua não existiria, pois se não tem forma de ovo, tem de queijo que possui contrato de parceria com o egg, o famoso cheese-egg. O ovo custa pouco, mas enriquece cardiologistas, que também consomem o ovo. Sem ovo não haveria o xampu e também o cabelo e raramente o pêlo, por isso ninguém mais procuraria “pêlo em ovo”. É complicado escrever sobre o ovo sem pisar em ovos. Bem, acho que o leitor deve estar imaginando com quantos paus se faz uma canoa, enquanto fico pensando com quantos ovos se compra um iate. E o pinto?

3.7 ponto(s). Avaliado por 3 pessoas

  • Currently 3,666667/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Postado por: Juca Fernandes
Em: 16/6/2009 as 13:30
Ações: E-mail | Kick it! | DZone it! | del.icio.us
Informações do post: Permalink | Comentários (0) | Post RSSRSS comment feed

Um monólogo desesperado atrás de um diálogo

Hoje eu quero ter  uma conversa muito séria com você. Não sei como poderia chamá-lo, se de amigo concordante, amigo discordante, inimigo respeitoso ou inimigo perigoso. Ou ainda: aviador profissional, aviador amador, aviador apaixonado e quem sabe até comparsa de meus pensamentos. Fique tranqüilo... Jamais o tratarei de companheiro e mais jamais ainda de parceiro. Na verdade sinto-me próximo de você e por vezes enraivecido por não poder ouvir suas explicações para minhas suposições.
Penso muito sobre o que escrever imaginando o que você gostaria de ver concordando ou não com o que acabara de ler. Tarefa dificílima! Imagine quando escrevo que a Varig vai acabar não sabendo que você não deseja que a VARIG acabe. Pio: escrever que a VARIG acabou em dúvida se não gostou do que leu. Sei lá, acho que estou me fazendo mais confuso que a confusão que eu mesmo imaginando sobre o que você está pensando sobre tudo isso que até agora não se materializou na minha mente. Imagine então na sua!
E quando digo que o relógio Breitling é o melhor do Mungo! Sabendo que devem existir muitos dentre tantos que preferem uma outra marca qualquer... Viu como fui parcial? Quem falou que Rolex, Bvlgari, IWC, Longines são marcas “quaisqueres”. Tem leitor até que admira o trabalho da INFRAERO que não marca hora, mas é responsável por inúmeros atrasos inclusive em suas próprias obras que muitos de vocês acham o máximo. Recebi vários e-mails elogiando a nova garagem do Aeroporto de Congonhas. Quer saber? Vou elogiar também. Ficou boa mesmo.
Mas fico aqui com meus botões pensando o quanto de especial existe em tudo isso. Momento de extrema solidão a nossa, não? Eu aqui escrevendo para quem não conheço e você aí lendo sobre alguém que fala sobre o que os outros pensam.
Só que no nosso caso, aviadores que somos, a fraqueza, o vacilo, o titubeio não nos são permitidos. Vacilar é pressagio da morte e escrever sobre quem já morreu é pior que falar através dessas linhas para quem não conheço. O medo acaba por nos proteger. O medo é humano e tenho certeza de que você, leitor também dá suas escorregadelas às vezes. Ou vai me dizer que não se arrependeu do seu último voto! Quanto mais escrevo mais intrigado fico, afinal, quem você pensa que é? E mais: que direito tem você de tudo e não dizer nada, não escrever nada, não discordar de tantas palavras para você e santas palavras para mim.
Sei que não tomo o seu tempo, pois ele, agora, é bastante disponível, ainda mais depois de cinco anos escrevendo para quem não conheço sobre o que às vezes também não conheço. Se bem que não sejamos piegas e desonestos em não merecer o que acabamos de conhecer.


"O autor é editor da Revista FreqüêenciaLIvre"

1.0 ponto(s). Avaliado por 1 pessoas

  • Currently 1/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Postado por: Juca Fernandes
Em: 20/4/2009 as 8:09
Ações: E-mail | Kick it! | DZone it! | del.icio.us
Informações do post: Permalink | Comentários (0) | Post RSSRSS comment feed

Fila Única

Dizem que a maior invenção dos últimos tempos foi o avião! Ou talvez a lâmpada, o computador, a internet, o self service, o Viagra, o Lula, a lula, a domesticação da mula, a caneta com tinta invisível e tantas outras engenhocas que nos oferece conforto. 
Entretanto, foi preciso alguns milênios para a verdadeira invenção do século passado – a incrível e inteligente “fila única” – demonstrar ser uma maravilha tecnológica que nos colocou à frente no tempo e na economia do mesmo tempo. Depois do invento, os aeroportos junto com os bancos foram os maiores beneficiados por essa magistral idéia, porém antes disso o caminho percorrido foi extenso! A teoria das filas é um ramo da probabilidade que estuda sua formação através de análises matemáticas precisas e propriedades mensuráveis das filas.

Uma fila ocorre sempre que a procura por determinado serviço é maior que a capacidade do sistema de prover esse serviço. Um sistema de filas pode ser definido como clientes chegando, esperando e saindo do sistema após atendidos. “Cliente”, em teoria das filas, é um termo genérico, aplicando-se não somente a seres humanos. O conceito pode abranger ainda processos e pacotes que chegam a um roteador para serem encaminhados e também pessoas esperando no caixa do supermercado, dentre tantas possibilidades. Antes do invento, os bancos ofereciam uma fila para cada caixa e, se porventura a escolha fosse equivocada pelo semblante trabalhador da funcionária, a ira aparecia com latência. Sem falar daquele simpático velhinho a sua frente, que chegada sua vez sacava um pacote de intermináveis contas 
que requeriam cálculos individuais... Maldidos velhinhos, pensávamos! A formação mais antiga que se tem notícia de uma fila foi do embarque  na Arca de Noé, feito sem qualquer privilégio a gestantes, velhinhos, pequenos ou rastejantes. Nos anos 20, surgia o cordão de isolamento, para na década de 50, inspirado na descoberta de uma maneira mais racional de alimentar o primeiro computador da história, nascer o modelo que se tornaria fila única através do espertalhão, empresário e matemático Edward Flinker, que na década de 60 não só patenteou a fila única, mas também seus equipamentos de utilização, tais como fitas divisórias, postes, luminosos de 
chamada de senha e tantos outros. Nem precisamos dizer que ficou milionário com essa idéia simples que alterou o comportamento humano 
nos últimos tempos.

Pena que os aviadores em maioria nunca foram criativos, pois a fila única nas cabeceiras das pistas antes da decolagem deveria servir de modelo. Fila única... O invento do século!

* "O autor é editor da Revista FreqüêenciaLIvre"

5.0 ponto(s). Avaliado por 3 pessoas

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Postado por: Juca Fernandes
Em: 17/11/2008 as 7:18
Ações: E-mail | Kick it! | DZone it! | del.icio.us
Informações do post: Permalink | Comentários (0) | Post RSSRSS comment feed

Os velhos não dobram os joelhos

Por Juca Fernandes 


Se um dia você entrar numa guerra, saiba que terá que ficar na frente dos velhos. Lute por sua vida e defenda os velhos que o seguem cambaleantes, pois não mais conseguem dobrar os joelhos.


Saiba, ainda, que esses mesmos velhos que hoje não dobram os joelhos já foram bravos e melhor: sobreviveram durante batalhas de outrora defendendo o jovem menino que sonhava com o regresso do jovem pai.


Seja duro com os inimigos, mas terno com os velhos que não dobram os joelhos.


Seja duro com os jovens covardes que possam colocar em risco os velhos que não dobram os joelhos.


O Homem tem que ser duro e terno. Seu coração não deve ser afetado por sentimentalidades, e quando isso ocorrer reflita sobre os velhos que não dobram seus 
joelhos.


O jovem só deve se curvar diante da morte e mesmo assim usar seu corpo machucado para proteger os velhos que não dobram os joelhos.


Os velhos nunca dobraram os joelhos. Quando jovens, lutaram bravamente e não se curvaram diante da adversidade. Hoje, até lhes seria facultado o direito de dobrá-los... mas não conseguem. Não por seus músculos atrofiados e desacostumados, mas sim pela dignidade de nunca terem esmorecido.


Um homem não deve se curvar a não ser para proteger os velhos que nunca dobraram os joelhos e que já defenderam outros velhos que partiram vitoriosos.


Ser jovem é poder entender os velhos e lutar por eles.


Ser velho depende da bravura de quando era um jovem.

 

"O autor é editor da Revista FreqüêenciaLIvre"

5.0 ponto(s). Avaliado por 2 pessoas

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Postado por: Juca Fernandes
Em: 20/10/2008 as 12:35
Ações: E-mail | Kick it! | DZone it! | del.icio.us
Informações do post: Permalink | Comentários (0) | Post RSSRSS comment feed

Maldita Falha Humana!

Por Juca


A incoerência das obrigações nos obriga a uma inevitável reflexão sobre essas obrigações. São tantas e bizarras quanto santas as risadas. Existem profissões que não permitem erros e, se errar é humano, a condição do aviador não traduz sua simples profissão. A  maioria dos acidentes aéreos que raramente relatamos em nossas páginas segue aquele ritual macabro e tétrico de sindicâncias,  investigações e incontáveis relatórios, que na maioria das vezes resulta na Falha Humana. Se considerarmos que a manutenção de uma  aeronave é executada por seres humanos e as previsões meteorológicas “previstas” pelos mesmos seres, constataremos que 
todas as falhas são humanas. A responsabilidade de um vôo recai sobre o comandante, senhor absoluto e mandante soberano... nem tanto. 
Quando o proprietário de uma pequena aeronave contrata um piloto para conduzi-la, entrega a ele a responsabilidade dessa condução e também qualquer deslize cometido pelos ocupantes. Se o dono dessa aeronave for um traficante de drogas e utilizá-la para esse fim, qual seria a responsabilidade desse comandante contratado e apequenado em relação à obrigação de revirar a bagagem dos ocupantes? Falha humana? No caso da aviação comercial, a situação fica distinta, pois, se o comandante da aeronave particular fica responsabilizado por tudo que transporta, o que dizer sobre os freqüentes contrabandos e tráfico de drogas de pequenas proporções nos aviões de linhas regulares? O comandante será detido e responsabilizado pela carga? Falha Humana? A Falha Humana serve para justificar qualquer deslize ou negligência de alguém que prejudicou o próximo mesmo distante dele. A Falha Humana é um termo efêmero na essência e pragmático na sua excelência. Quando um piloto abastece seu monomotor movido a gasolina com querosene, a falha pode não merecer um outro personagem se não ele mesmo. Mesmo que ele não tenha sido o abastecedor, e sim o zelador desse pequeno amontoado de metal ornamentado com asas e um ventilador externo. Uma chuva de granizo não é Falha Humana, mas a decisão de prosseguir o vôo sob suas saraivadas é decisão humana que pode resultar numa Falha Humana. A Falha Humana justifica tudo e quase sempre coloca um ponto final em qualquer apuração. A escolha do presidente da INFRAERO é uma decisão política que se não for ponderada pode se transformar numa Falha Humana, como tantas que 
ocorreram nos aeroportos administrados pela estatal. O ditador Hugo Chávez é um exemplo típico de Falha Humana na concepção das coisas, ou dos “coisos”, como preferirem. A invenção do hambúrguer não foi uma Falha Humana, mas a maionese debruçada preguiçosa sobre ele sim.
O Brasil vive seu melhor momento econômico das últimas décadas, transportado por uma aviação que necessita de investimentos em infra-estrutura aeroportuária, de preferência sem Falha Humana. Não podemos decidir como e quando vamos morrer, mas podemos viver agora deixando de reclamar da carga pesada que exige ombros mais fortes. De preferência, sem FALHA HUMANA!

4.8 ponto(s). Avaliado por 4 pessoas

  • Currently 4,75/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Postado por: Juca Fernandes
Em: 29/9/2008 as 7:55
Ações: E-mail | Kick it! | DZone it! | del.icio.us
Informações do post: Permalink | Comentários (0) | Post RSSRSS comment feed

Um vôo a caminho do útero

Por Juca Fernandes 

Viver é acreditar que possamos terminar uma obra que só finda quando nossos olhos ficam cerrados para a vida. Contrariar o óbvio é uma missão incumbida aos sábios. Portanto, sábio são aqueles que exultam a incoerência e brindam as pequenas conquistas. Quem planta uma muda da árvore de noz-moscada, sabe que seus frutos serão colhidos depois de 35 anos, muito tempo para os medíocres plantadores de couve. Muito tempo para os medíocres pichadores de muros em construção. Muito tempo para os medíocres governantes que planejam o futuro de uma nação, como se o futuro fosse no tempo de um desabrochar de cogumelos. Se pudéssemos inverter a ordem natural da vida, aí, sim, teríamos uma obra com início e fim. O homem surgiria velho e sábio e aos poucos conquistaria tudo de novo até o regresso ao útero materno, protegido pela mãe egressa dessa velhice. Surgiríamos no mundo aos 80 anos de idade e lentamente cicatrizaríamos nossas feridas e entenderíamos o passar da dor. Nossa visão ganharia claridade e distanciaria nossos horizontes. Os membros cansados lentamente se fortaleceriam e a velocidade de nossos passos nos deixaria próximos de uma enorme árvore carregada de nozes, marcadas com os vincos de nossas frontes que aos poucos desapareceriam relevando nosso sorriso e aumentando a pressa para conquistarmos a impetuosa e necessária jovialidade. As guerras passariam com a certeza de que o mundo assistiria ao seu fim sabendo que não valeria por tantos mortos. Nasceríamos detentores da razão e conquistaríamos a certeza de nossas dúvidas. Trocaríamos a ordem impávida pela desordem característica de uma árvore que se recusa a fecundar rapidamente. Veríamos nossos filhos errarem e acertarem, pois seríamos avós, pais e filhos.  Observaríamos bem menos e faríamos bem mais. Nossas expectativas teriam fim, e não começo. Brindaríamos a obra pronta e iniciaríamos sua desmontagem peça a peça, sem a pressa do início e sem nenhuma expectativa para aquilo que já é belo e vigoroso enquanto inacabado. Mudaríamos nosso semblante por vezes e num crescente decrescente ganharíamos a inconseqüência do jovem, amparado pela irresponsabilidade legítima de não ter de conquistar mais nada, a não ser a felicidade que não depende de regra alguma, tampouco contar o tempo a acertar um relógio que insiste em nos manter vivos, porém atados à espera de uma singela noz-moscada. E assim, lentamente, como uma deusa de pés perfeitos e vários e sinceros semblantes, pisaríamos o planeta com a certeza e segurança do útero materno que seria o fim do começo da vida.

O autor é editor da Revista FreqüêenciaLIvre

3.4 ponto(s). Avaliado por 5 pessoas

  • Currently 3,4/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Postado por: Juca Fernandes
Em: 27/8/2008 as 14:22
Ações: E-mail | Kick it! | DZone it! | del.icio.us
Informações do post: Permalink | Comentários (0) | Post RSSRSS comment feed