Dizem que a maior invenção dos últimos tempos foi o avião! Ou talvez a lâmpada, o computador, a internet, o self service, o Viagra, o Lula, a lula, a domesticação da mula, a caneta com tinta invisível e tantas outras engenhocas que nos oferece conforto.
Entretanto, foi preciso alguns milênios para a verdadeira invenção do século passado – a incrível e inteligente “fila única” – demonstrar ser uma maravilha tecnológica que nos colocou à frente no tempo e na economia do mesmo tempo. Depois do invento, os aeroportos junto com os bancos foram os maiores beneficiados por essa magistral idéia, porém antes disso o caminho percorrido foi extenso! A teoria das filas é um ramo da probabilidade que estuda sua formação através de análises matemáticas precisas e propriedades mensuráveis das filas.
Uma fila ocorre sempre que a procura por determinado serviço é maior que a capacidade do sistema de prover esse serviço. Um sistema de filas pode ser definido como clientes chegando, esperando e saindo do sistema após atendidos. “Cliente”, em teoria das filas, é um termo genérico, aplicando-se não somente a seres humanos. O conceito pode abranger ainda processos e pacotes que chegam a um roteador para serem encaminhados e também pessoas esperando no caixa do supermercado, dentre tantas possibilidades. Antes do invento, os bancos ofereciam uma fila para cada caixa e, se porventura a escolha fosse equivocada pelo semblante trabalhador da funcionária, a ira aparecia com latência. Sem falar daquele simpático velhinho a sua frente, que chegada sua vez sacava um pacote de intermináveis contas
que requeriam cálculos individuais... Maldidos velhinhos, pensávamos! A formação mais antiga que se tem notícia de uma fila foi do embarque na Arca de Noé, feito sem qualquer privilégio a gestantes, velhinhos, pequenos ou rastejantes. Nos anos 20, surgia o cordão de isolamento, para na década de 50, inspirado na descoberta de uma maneira mais racional de alimentar o primeiro computador da história, nascer o modelo que se tornaria fila única através do espertalhão, empresário e matemático Edward Flinker, que na década de 60 não só patenteou a fila única, mas também seus equipamentos de utilização, tais como fitas divisórias, postes, luminosos de
chamada de senha e tantos outros. Nem precisamos dizer que ficou milionário com essa idéia simples que alterou o comportamento humano
nos últimos tempos.
Pena que os aviadores em maioria nunca foram criativos, pois a fila única nas cabeceiras das pistas antes da decolagem deveria servir de modelo. Fila única... O invento do século!
* "O autor é editor da Revista FreqüêenciaLIvre"
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