Há muito tempo o excesso de peso ou obesidade é considerada como falta de força de vontade para manter-se esbelto ou desconhecimento dos princípios da educação alimentar. Em uma análise simplista isto seria o correto, mas na verdade esta teoria vai de encontro ao preconceito que o obeso sofre hoje em dia.
Analisando-se países de primeiro mundo como os Estados Unidos, onde o alcance à informação é amplo, chega-se ao número de 60% da população com excesso de peso. (no Brasil 40% segundo o IBGE). É obvio que se o problema fosse somente reeducação alimentar bastaria ampla divulgação da mesma e todos estaríamos magros.
Mesmo entre médicos (até mesmo endocrinologistas) e nutricionistas, a incidência de obesidade é alta. Estudos feitos nos EUA mostram que a expectativa de vida nos próximos 50 anos vai cair, ao contrário do que ocorre até agora, pois os jovens e crianças estão cada dia mais obesos.
Os Chiitas de plantão dizem que a culpa seria dos Mc Donalds e congêneres. Puro sensacionalismo, pois já foram feitas pesquisas, inclusive no Brasil, que mostram que a criança vai em média ao Mc Donalds 1,6 x ao mês. Nutricionalmente um Big Mc contém 450cal e é adequado para a média de ingestão dia de uma criança (1800 cal, para manter o peso). Uma porção de ketchup contém apenas 10 calorias. Quantos já foram forçados a abolir ketchup de suas dietas achando que este seria um dos principais vilões no aumento de peso?
O paciente obeso sofre por estar doente e por ser tachado de preguiçoso e indolente. Até no bolso estes são prejudicados. Pessoas fora do peso tendem a receber menores salários. As causas da obesidade são multifatoriais, até vírus estão implicados, e a mesma tem que ser tratada como doença grave e que mata.
Maurício Hirata
Endocrinologista
hirata@portalradar.com.br
*O contéudo desta coluna é de total responsabilidade do colaborador que a assina.
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