A consultoria americana Proudfoot Consulting pesquisou 325 organizações em 19 países tendo ouvido mais 800 executivos sendo 106 brasileiros, todos ocupantes de posições de comando. A reportagem sobre a pesquisa foi publicada no jornal Valor Econômico de 25 de setembro de 2006, p.D6 de autoria de Andréa Giardino.
A pesquisa mostrou uma situação crítica em relação à comunicação interna nas empresas. Poucos são os chefes que conseguem comunicar de forma clara as diretrizes e estratégias a seus colaboradores. Isso tem comprometido, de forma contundente, a produtividade. 13% das empresas brasileiras apresentaram queda de produtividade. A pesquisa indica que 38 dias por ano são perdidos e 39% das respostas obtidas aponta como causa principal a comunicação interna.
“O alto escalão sente dificuldades na hora em que precisa transmitir aos funcionários quais são as metas organizacionais e como elas devem ser atingidas”, diz Manfre Stanek, presidente da consultoria. Para resolver esse grave problema de comunicação interna, a solução apontada pelos dirigentes pesquisados foi o aumento de investimentos em treinamento tanto dos chefes quanto dos funcionários em geral, o que mostra, no Brasil, a consciência da falta de preparo dos executivos.
“Além dos problemas de comunicação, os executivos brasileiros vêem a falta de motivação como um ponto preponderante na queda da produtividade” diz a articulista do Valor Econômico. Na pesquisa, a falta de motivação aparece em segundo lugar com 38% das respostas. Esses resultados, segundo a consultoria mostram que o executivo brasileiro deixa muito a desejar. Ele parece não ser capaz de engajar pessoas nos objetivos e metas da empresa.
“E não falamos aqui apenas de salário”, ressalta Stanek à entrevistadora. “Boa parte sente falta de um feedback do chefe, positivo ou negativo, e não vê, na maioria das vezes, o reconhecimento de seu trabalho”. Ao final da entrevista, o presidente da Proudfoot faz uma afirmação que vale a pena ser citada: “Ainda há um enorme espaço para ganhos de produtividade nas empresas brasileiras, uma exigência da crescente globalização e da necessidade de viabilizar um modelo de crescimento com abertura econômica”, diz ele. “Ao contrário de outros países mais avançados, o setor privado brasileiro precisa investir mais em treinamento e qualificação profissional para suprir as deficiências do ensino formal”.
A pesquisa e a entrevista que comentamos acima deve ser motivo de reflexão séria para todos nós empresários e dirigentes. Sempre insisti em afirmar que um dos maiores problemas da desmotivação das pessoas na empresa está diretamente relacionada à comunicação interna. O dirigente brasileiro não é treinado em dar feedback e quando dá, faz de forma errada, equivocada, provocando mais dano e revolta do que benefícios ao empregado e à empresa. Ainda temos muitos dirigentes que adotam a postura de senhores de engenho, incomunicáveis em suas Casas Grandes – seus impenetráveis gabinetes.
Os empregados vivem de sustos. Mudanças são feitas abruptamente sem nenhum cuidado na comunicação interna. Há um verdadeiro prazer sádico no efeito surpresa, no inesperado, em deixar as pessoas inseguras. Essa postura antiga é que desmotiva e faz a produtividade cair. O dirigente brasileiro parece não perceber que as palavras movem mas os exemplos arrastam, como diz o velho ditado latino. Há uma incoerência absoluta entre o discurso e a prática. Dirigentes falam de qualidade e atendimento ao cliente como fundamentos básicos da empresa, mas negam-se a atender clientes e a fazer investimentos que resolvam os problemas de qualidade. Essa contradição “comunica” internamente que tudo não passa de uma grande mentira e que o grande valor é unicamente o lucro a qualquer preço. Nada é mais desmotivador.
Com muitos concorrentes globais, qualidade semelhantes e preços iguais, ou mudamos ou morreremos. É preciso mudar antes que seja tarde. É preciso cuidar da comunicação interna, fator essencial na motivação das pessoas.
Pense nisso. Sucesso!
5.0 ponto(s). Avaliado por 1 pessoas
- Currently 5/5 Stars.
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5